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sexta-feira, 13 de março de 2009

terça-feira, 10 de março de 2009

no tempo em que existia onça

As empresas eram familiares...



Tudo era novidade


As pessoas se conheciam e frequentavam os mesmos mercadinhos da cidade

O farmacêutico era o Seu Sampaio


O comerciante João Rolim era barateiro, mas só queria vender à dinheiro!


Muitas coisas acontecem. Os sócios Cerqueira e Soares dizem que perderam uma promissória em favor do capitão José Marques, uma pessoa promete gratificar quem achar seu cachorrinho e uma mulher se oferece para lavar e passar a preços módicos e manda os interessados tratarem do assunto com o Firmino (seu marido? seu irmão? seu pai?)



O nome da empresa era o nome do dono.


Os anunciantes não escondiam seus preços na publicidade que faziam de seus negócios (ao contrário do que se costuma fazer hoje).



As pessoas eram educadas ou se esforçavam para isso e falavam com clareza de seus negócios...


Dona Nha Santa hospedava famílias numa casa grande da Rua Campos Sales.



Ás vezes tinha circo, as vezes tinha corridas.





Algumas bestas se perdiam e seus donos saiam a procurá-las.




E quando o couro do arreio arrebentava, era só ir na casa do gaúcho Franscisco Carneiro que ele dava um jeito.




domingo, 8 de março de 2009

recortes do cotidiano

Durante alguns meses do ano 2000, consultei vários exemplares dos jornais Tribuna de Itapetininga e O Diário, publicados entre os anos de 1896 a 1915.
Meu objetivo era acompanhar as publicações feitas por esses dois jornais relativas ao mundo escolar de Itapetininga, trabalho que realizei como parte dos meus estudos de doutorado em História da Educação.
O motivo da escolha dos jornais era simples: Itapetininga havia sido uma das primeiras e poucas cidades do interior do Estado de São Paulo a receber uma Escola Complementar (equivalente, hoje, ao ensino fundamental de 5ª a 9ª séries), um verdadeiro "luxo" naqueles anos em que ter em funcionamento uma simples escola primária já era, por si só, um privilégio.

Minha hipótese era a de que os jornais da época teriam sido testemunhas importantes sobre o processo de escolarização que estava então em andamento e que, diferentemente das "fontes oficiais" da história da educação paulista (basicamente relatórios, estudos e depoimentos de antigos professores e autoridades do ensino), os jornais poderiam fornecer uma visão "de fora" da escola pública que estava sendo criada e posta para uso das populações interioranas. Minha esperança era a de que, pelas notícias dos jornais, eu pudesse observar como teria se dado a apropriação da escola - com tudo o que ela carrega: hábitos, disciplinas, conhecimentos, relações sociais e políticas.

E, de fato, os jornais não me decepcionaram. Através das páginas d´O Diário e da Tribuna, pude acompanhar notícias sobre o mundo social dos professores, o movimento dos pensionatos para escolares, o comércio de material escolar, os pedantismos e os usos que o "status" oferecido aos que trabalhavam e estudavam na Escola Complementar possibilitava aos mais diversos agentes sociais e escolares como estratégia de promoção pessoal.

O resultado dessa pesquisa apresentei no Congresso de História da Educação promovido Sociedade Brasileira de História da Educação, ocorrido no Rio de Janeiro no final do ano de 2000. Um resumo deste trabalho consta no livro de atas do congresso.
Acredito (espero!!) que os jornais que consultei continuem guardados no Centro Histórico e Cultural da Prefeitura de Itapetininga. Embora eles, já atrás, não estivessem em perfeito estado de conservação, os exemplares que consultei são uma importante fonte de pesquisa sobre a história local e o processo de escolarização dos primeiros governos republicanos brasileiros e devem mesmo ser bem preservados. Espero, por isso, que todo o rico material impresso do nosso Centro Cultura continue "vivo", pois faz tempo que não tenho tido contato com o pessoal do Centro Cultural, nem sei como eles estão fazendo para preservar esse importante patrimônio cultural de Itapetininga.
Mas vamos falar um pouco do jornal A Tribuna Popular. Outro dia falarei do jornal O Diário.

A Tribuna Popular e a Tipografia Galvão


O jornal Tribuna Popular foi uma criação de Antonio Galvão, que conseguiu fazer circular o seu primeiro número em 1886. Antonio Galvão possuia alguma experiência na área, pois havia trabalhado como auxiliar do jornal O Município, considerado o primeiro de Itapetininga e um dos pioneiros em todo o Estado de São Paulo.
Até 1905, a Tribuna Popular foi o principal veículo de comunicação em "larga escala" dos habitantes daquela Itapetininga antiga, podendo ser tomado hoje como o principal registro da vida e dos costumes daquela época.
A existência do jornal A Tribuna Popular não pode se entendida desligada da tipografia montada por seu fundador com o objetivo não só de confeccionar os jornais, mas também para produzir impressos variados para uso em escritórios e escolas do município.
Essa condição deve ser lembrada para se ressaltar que o que movia o jornal não eram as motivações ideológicas, particularmente fervorosas nos primeiros anos republicanos do Brasil, mas sim, mais propriamente, o interesse comercial.
No caso específico da cobertura que o jornal faz dos acontecimentos relacionados à nova vida escolar de Itapetininga, percebe-se que o apoio jornalística em prol da educação popular coincide com os interesse comercial da empresa, afinal, os jornais são feitos para leitores e formar leitores é uma das tarefas primeiras da escola. Além disso, o universo escolar é particularmente estimulante do consumo de materiais tipográficos (cadernos, blocos, livros) e, portanto, uma área a mais a ser explorada, neste caso não propriamente pelo jornal, mas sim pela Tipografia que pertence ao seu dono.
Layout, montagem e impressão: algumas características
Pelos jornais disponíveis, sabemos que em 1896 a Tribuna Popular pertencia a Antonio Galvão e consistia num tablóide de folha única, dobrado ao meio, formando portanto 4 páginas.
A primeira página era dedicada aos assuntos mais relevantes da política e da vida social da época. A segunda página igualmente apresentava notícias política, artigos, pequenos comunicados, comentários variados e alguma propaganda. Já as páginas 3 e 4 eram as destinadas quase que exclusivamente aos anúncios do comércio local, editais da prefeitura, comunicados de interesse público, etc. Mas essas características não eram rígidas, havendo distribuição variada de matérias pelos espaços do jornal.
Devido às próprias limitações da impressão tipográfica, feita em tipos de chumbo, não é incomum encontrar-se, nos exemplares consultados, frases em que faltam artigos e preposições, supressões provavelmente ocorridas de propóstico, com a finalidade de fazer caber o texto dentro do espaço a ele destinado.
Quanto às ilustrações, que, para serem impressas, tinham que ser esculpidas em relevo no chumbo quente, elas foram utilizadas muito pouco nesse período, se limitando a alguns carimbos, conforme se pode ver nas reproduções aqui contidas.

As três imagens acima são ilustrações feitas a partir de desenhos feitos em chumbo. Devido a dificuldade em fazer novas ilustrações, as mesmas imagens eram usadas com frequência em diferentes matérias do jornal.
A Tribuna só foi ganhar um melhor aspecto visual a partir de 1901, quando o jornal passa a ser publicado em folha maior, atestando uma riqueza maior na qualidade de impressão e mesmo de conteúdo.
A partir desse ano, a Tribuna também inicia uma sucessão de novos proprietários e novos redatores (geralmente o proprietário e o redator são a mesma pessoa), o que nos leva a pensar que o jornal, enquanto empreendimento, parece não ter sido nem um bom negócio para manter seus proprietários fiéis por muito tempo, mas também nem tão um mal negócio que deixasse de atrair a atenção de outras pessoas mais motivadas.

* * *

A seguir vai uma relação de jornais, folhetos e revistas recebidas pelo escritório da Tribuna Popular durante os 1896, 1897, 1901 e 1902. Os nomes são bastante sugestivos e compoem um retrato da cultura da época. Valem uma leitura.
Recebidos em 1896-97
O Trovão (Tatuí)

Revista Farmacêutica

Jornal do Gentio (“órgão propagandístico médico-botânico da flora aborígene")

Arquivo Clínico, do Dr. David O. Honi (Poços de Caldas).

Eco Português, órgão da colônia portuguesa de S. Paulo.

Correio Paulistano.
O Botucabense.
Tribuna do Povo
Sul de São Paulo (Faxina)
A Redenção (jornal abolicionista)
O Imparcial (São Paulo)
A Nação, órgão do partido chefiado pelo General Clycério.
O Correio Acadêmico
O Democrata (Dois Córregos)
O Vitória (São Paulo)
Revisão da Constituição Federal de 24/02. Panfleto de Arthur Breves.

O Prelúdio, órgão do Grêmio Literário Juvenil de Itapetininga).

O Jundialense, órgão do Partido Republicano da cidade de Jundiaí.

Capital Paulista.

A Violeta (revista de letras)

Tribuna de Franca.

Comarca de Iguape

O Tipógrafo, jornalzinho humorístico publicado em Jaboticabal

O Rutineiro, do mesmo gênero que o precedente, publicado em Tatuí.
Recebidos em 1901:


A Luz Divina (São Paulo)

Primavera (Prata, MG)

O Brasil Elegante, jornal de moda das famílias brasileiras.

O Janota, folha literária humorística e noticiosa publicada em Amparo.

O Barbarense, órgão republicano publicado na vila de Santa Bárbara.

Direito e Escrituração Mercantil, livro de José Augusto do Amaral Sobanho, de Sorocaba.

Dez Contos (livrinho do insígne professor Arthur Goulart.

Santa Cruz, pequena revista de religião, letras, atos e pedagogia. São Paulo.

A Rex, jornal de literatura amena, com seção italiana dedicada ao belo sexo sorocabano.

A Platéia.

A Folha, periódico de Porto Ferreira.

Cidade de Limeira

Correio de Botucatu.

Correio de Itabira, órgão do governo municipal.

Gazeta de Santa Rita, periódico imparcial e literário do sr. Tlamínio Ernesto de Vasconcellos.

Comércio de Amparo.

O Grito da Pátria, folha mais republicana e de mais propaganda no Brasil, propriedade de uma empresa anônima.


* * *

Abaixo, algumas notícias curiosas publicadas pelo jornal O Diário.
Clique nas imagens para ver em tamanho ampliado.
A atávica incompetência dos fiscais municipais

O caso do travesti anônimo
O samba das criadas

quarta-feira, 5 de novembro de 2008


Na foto acima, quatro livros fundamentais sobre o município e a sociedade de Itapetininga.

Em sentido horário: o primeiro é - eu creio* - o Album Comercial de 1935, muito apreciado e comentado pelos memorialistas de Itapetininga. Pode-se ver pela foto que o exemplar que eu tenho é cópia do original.

O segundo é Itapetininga e sua história, um livro de crônicas sobre o povoamento e costumes de Itapetininga escrito por Antonio Galvão Júnior, filho que foi do então conhecidíssimo Antonio Galvão, o pai, tido como o fundador da imprensa na cidade e um dos pioneiros em toda a região sul do Estado de São Paulo. O livro é de 1956, publicado pelo próprio autor. Pela foto vc pode ver que eu tenho um original, inclusive numerado como exemplar 658.

Os outros dois livros (os dois debaixo) são de
Oracy Nogueira, professor e sociólogo nascido em Cunha, Estado de São Paulo, e que se tornou um pioneiro no chamado "estudo de comunidades", tal como isso era entendido nas décadas passadas (foi uma "moda sociológica").

Esses livros se chamam: Preconceito de Marca: as relações raciais em Itapetininga e Família e Comunidade: um estudo sociológico de Itapetininga.

Pará nós, itapetininganos ou moradores nesta cidade, essas obras tem um valor muito especial. Pois ambas são fruto do trabalho de pesquisa que o autor realizou, entre 1951 a 1953, em Itapetininga, investigando em profundidade a nossa sociedade, nosso processo de povoamento, formação econômica, costumes, instituições, geografia regional e também a topografia local.

Oracy Nogueira foi uma espécie de seguidor do sociólogo
Donald Pierson, que conheceu pessoalmente. Com a realização de sua pesquisa sobre Itapetininga, ele pretendia praticar, aqui no Brasil, o mesmo método de análise social preconizado e praticado por Pierson.

Nogueira escolheu Itapetininga como seu campo de experimento, devido, segundo ele mesmo diz,

"as seguintes vantagens: 1ª a abundância de fontes históricas já localizadas; 2º constituir uma variante em relação a Guaratinguetá** - cidade do Vale do Paraíba do Sul por onde já passara o ciclo do café - no sentido de estar fora ou à margem da faixa ecológica dos cafés; e 3ª estar a cinco horas*** da Capital do Estado, pela ferrovia (Sorocabana), o que facilitaria o autor e a seus eventuais auxiliares - assistentes e alunos da Escola de Sociologia e Política de São Paulo - frequentá-la". (Nogueira, 1956, p. 10)

Pela citação acima pode-se concluir que Nogueira, para decidir-se por Itapetininga, estava tão preocupado com as razões teóricas-metodológicas de seu estudo acadêmico, como também com a comodidade dos deslocamentos de si próprio e de seus alunos para a cidade escolhida.

Mas isso é só um detalhe e não vem ao caso.

Nogueira só publicou o resultado de seus estudos sociológicos sobre Itapetininga em 1962, através do Centro Brasileiro de Pesquisas Educacionais, pertencente ao INEP, numa coleção chamada, muito apropriadamente, "O Brasil Provinciano" e que acabou ganhando o título, já citado, de Família e Comunidade. O livro saiu com 541 páginas de texto e ilustrações, mais um adendo de 16 outras páginas com reprodução de fotografias de Itapetininga. Um tijolo, como se diz.

Já o livro Preconceito de Marca, publicado em 1998, depois da morte do autor, é um fruto de um trabalho de resgate da professora
Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti, que pegou o antigo "relatório de Itapetininga", tal como Nogueira chamava seu texto de registros e anotações sobre sua pesquisa de campo, e o reeditou sob forma de publicação em livro.

Então, com a lembrança desses quatros livros, fica aqui a minha homenagem ao dia de aniversário dos 238 anos de fundação de Itapetininga.



* A cópia que eu tenho está sem a capa de identificação.

** Antes de se decidir por Itapetininga, Nogueira também considerou a possibilidade de realizar seu "experimento de pesquisa sociológica" em Guaratinguetá.

*** Hoje esse trajeto é feito em 2 horas de carro ou 2h30 de ônibus, se o trânsito ajudar.

P.S. Embora tenham alguns leitores deste blogue comentado que eu pertenço a "família tradicional" de Itapetininga, quero dizer que nunca encontrei, nas minhas folheadas nos quatro livros acima, qualquer referência à pessoas da minha família. O que não é de se admirar, pois sou filho de pai e avós imigrantes.

sábado, 29 de março de 2008

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Itapetininga antiga

Legenda original: Inauguração do Horto Florestal. Acervo do professor Mário Celso Rabelo Orsi. Idem para as demais.


Caçadores no Rio Itapetininga





Itapetininga, 1932: Corpo médico militar.



Itapetininga: Inauguração da Represa Nova



Homenagem à "Graúna", do Henfil

No final da década de 1970, eu era apenas um adolescente curioso quando, por acaso, frequentando a banca de jornais da rodoviária de Itapeti...