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domingo, 10 de maio de 2009

letras do Clube da esquina 2

Clube da Esquina 2 - Disco Um

credo
Milton Nascimento e Fernando Brant

Caminhando pela noite de nossa cidade
Acendendo a esperança e apagando a escuridão
Vamos, caminhando pelas ruas de nossa cidade
Viver derramando a juventude pelos corações
Tenha fé no nosso povo que ele resiste
Tenha fé no nosso povo que ele insiste
E acordar novo, forte, alegre, cheio de paixão

Vamos, caminhando de mãos dadas com a alma nova
Viver semeando a liberdade em cada coração
Tenha fé no nosso povo que ele acorda
Tenha fé no nosso povo que ele assusta

Caminhando e vivendo com a alma aberta
Aquecidos pelo sol que vem depois do temporal
Vamos, companheiros pelas ruas de nossa cidade
Cantar semeando um sonho que vai ter de ser real
Caminhemos pela noite com a esperança
Caminhemos pela noite com a juventude



nascente

Clareia manhã
O sol vai esconder a clara estrela
Ardente, pérola do céu refletindo teus olhos
A luz do dia a contemplar teu corpo
Sedento, louco de prazer e desejos
Ardentes



ruas da cidade
milton nascimento / Lô Borges / Marcio Borges

Guiacurus Caetés Goitacazes
Tupinambás Aimorés
Todos no chão
Guajajaras Tamoios Tapuias
Todos Timbiras Tupis
Todos no chão
A parede das ruas
Não devolveu
Os abismos que se rolou
Horizonte perdido no meio da selva
Cresceu o arraial

Passa bonde passa boiada
Passa trator, avião
Ruas e reis
Guajajaras Tamoios Tapuias
Tupinambás Aimorés
Todos no chão
A cidade plantou no coração
Tantos nomes de quem morreu
Horizonte perdido no meio da selva
Cresceu o arraial



paixão e fé
milton nascimento / Tavinho Moura / Fernando Brant

Já bate o sino, bate na catedral
E o som penetra todos os portais
A igreja está chamando seus fiéis
Para rezar por seu Senhor
Para cantar a ressureição

E sai o povo pelas ruas a cobrir
De areia e flores as pedras do chão
Nas varandas vejo as moças e os lençóis
Enquanto passa a procissão
Louvando as coisas da fé

Velejar, velejei
No mar do Senhor
Lá eu vi a fé e a paixão
Lá eu vi a agonia da barca dos homens

Já bate o sino, bate no coração
E o povo põe de lado a sua dor
Pelas ruas capistranas de toda cor
Esquece a sua paixão
Para viver a do Senhor




casamiento de negros
Milton Nascimento / Violeta Parra

Se ha formado casamiento,
Todo cubierto de negro,
Negros novios y padriños,
Negros cuñados y suegros,
Y el cura que lo casó,
Era de lo mismo negro.

Cuando empiezaron la fiesta,
pusieron el mantel negro,
Negro llegaran al postre,
Se servieron higos secos,
Y se fueron a acostar,
Debajo de un cielo negro.

Y allá está las dos cabezas,
De la negra con el negro,
Y amanecieron con frio,
Tuvieron que prender fuego,
Carbón trajo la negrita,
Carbón que también és negro.

algo duele a la negra,
Vindo el médico del pueblo,
Recetó emplastro del barro,
Pero del barro más negro,
Que le dieron a la negra,
Zumo del maquí del cerro.

Ya se murió la negrita,
Que penaba pobre negro,
La por cientro de un cajón,
Cajón pintao de negro,
No prienderon ninguna vela,
Ay! Que velorio tan negro




olho-d'água
Milton Nascimento, Paulo Jobim e Ronaldo Bastos

E já passou, não quer passar
E já choveu, não quer chegar
E me lembrou qualquer lugar
E me deixou, não sei que lá

Não quer chegar e já passou
E quer ficar e nem ligou
E me deixou qualquer lugar
Desatinou, caiu no mar

Caiu no mar, Nena
Pipo, cadê você?
Dora, cadê você?
Pablo, Lilia, cadê você?

Beira Rio
Duas Barras
Morro Velho
Ponte Nova
Maravilha
Buracada
Semidouro
Olho-D'Água

Caiu no mar, Pedro
Chico, cadê você?
Lino, cadê você?
Zino, Zeca, cadê você?

Vista Alegre
Cruz das Almas
Maroleiro
Asa Branca
Bom Sossego
Santo Amaro
Poço Fundo
Montes Claros
Cachoeira
Mambucaba
Porto Novo
Água Fria
Andorinha
Guanabara
Sumidouro
Olho-D'Água




canoa, canoa
milton nascimento / Nelson Angelo / Fernando Brant

Canoa canoa desce
No meio do rio Araguaia desce
No meio da noite alta da floresta
Levando a solidão e a coragem
Dos homens que são
Ava avacanoê
Ava avacanoê
Avacanoeiro prefere as águas
Avacanoeiro prefere o rio
Avacanoeiro prefere os peixes
Avacanoeiro prefere remar
Ava prefere pescar
Ava prefere pescar
Dourado, arraia, grumatá
Piracará, pira-andirá

Jatuarana, taiabucu
Piracanjuba, peixe-mulher
Avacanoeiro quer viver
Avacanoeiro só quer pescar

Dourado, arraia e grumatá
Piracanjuba, peixe mulher




o que foi feito devera
milton nascimento / Clube da esquina

O que foi feito, amigo,
de tudo que a gente sonhou
O que foi feito da vida,
o que foi feito do amor
Quisera encontrar aquele verso menino
Que escrevi há tantos anos atrás
Falo assim com saudade,
falo assim por saber
Se muito vale o já feito,
mas vale o que será
Mas vale o que será
E o que foi feito é preciso
conhecer para melhor prosseguir
Falo assim sem tristeza,
falo por acreditar
Que é cobrando o que fomos
que nós iremos crescer
Nós iremos crescer,
outros outubros virão
Outras manhãs, plenas de sol e de luz
Alertem todos alarmas
que o homem que eu era voltou
A tribo toda reunida,
ração dividida ao sol
E nossa Vera Cruz,
quando o descanso era luta pelo pão
E aventura sem par
Quando o cansaço era rio
e rio qualquer dava pé
E a cabeça rolava num gira-girar de amor
E até mesmo a fé não era cega nem nada
Era só nuvem no céu e raiz
Hoje essa vida só cabe
na palma da minha paixão
Devera nunca se acabe,
abelha fazendo o seu mel
No pranto que criei,
nem vá dormir como pedra e esquecer
O que foi feito de nós



mistérios
milton nascimento / Joyce / Maurício Maestro

Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo pra te incendiar
Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar
Vida breve, natureza
Quem mandou, coração?
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo pra te ensinar






pão e água
milton nascimento / Lô Borges / Márcio Borges / Roger Mota

Prato feito mal servido todo dia
Todo povo a devorar
Como pasto verde calmamente devorado
Pelos animais
Cachoeiras sem as águas
É barranco torto morto tudo igual
Como correnteza sem barranco
É apenas água a rolar
Gira a roda do moinho
Mói o milho, mói o trigo, faz o pão
Pão e água mal servidos para devorar

Corre a bola, rola o circo
Alegria tudo, tudo é carnaval
No silêncio dessas matas muita coisa viva
Tem pra se matar
Picadeiro sem palhaço
Todos os aplausos são para o leão
E essa platéia educada
Calmamente a ver e esperar
Girar a roda da fortuna
Mói a vida, mói o sonho, mói o pão
Pão e circo mal servidos para devorar




e daí?
milton nascimento / Milton Nascimento / Ruy Guerra

Tenho nos olhos quimeras
Com brilho de trinta velas
Do sexo pulam sementes
Explodindo locomotivas
Tenho os intestinos roucos
Num rosário de lombrigas
Os meus músculos são poucos
Pra essa rede de intrigas
Meus gritos afro-latinos
Implodem, rasgam, esganam
E nos meus dedos dormidos
A lua das unhas ganem
E daí?

Meu sangue de mangue sujo
Sobe a custo, a contragosto
E tudo aquilo que fujo
Tirou prêmio, aval e posto
Entre hinos e chicanas
Entre dentes, entre dedos
No meio destas bananas
Os meus ódios e os meus medos
E daí?

Iguarias na baixela
Vinhos finos nesse odre
E nessa dor que me pela
Só meu ódio não é podre
Tenho séculos de espera
Nas contas da minha costela
Tenho nos olhos quimeras
Com brilho de trinta velas
E daí?




(Letras capturadas do acervo de canções do Portal Terra.)

sábado, 9 de maio de 2009

Momento musical...

As Pastorinhas

Composição: Noel Rosa / João de Barro (Braguinha)

A estrela d'alva
No céu desponta
E a lua anda tonta
Com tamanho esplendor
E as pastorinhas
Pra consolo da lua
Vão cantando na rua
Lindos versos de amor

Linda pastora
Morena da cor de Madalena
Tu não tens pena
De mim que vivo tonto com o teu olhar
Linda criança
Tu não me sais da lembrança
Meu coração não se cansa
De sempre e sempre te amar





Canto de Ossanha
Composição: Vinicius de Moraes / Baden Powell

- "O canto da mais difícil
E mais misteriosa das deusas
Do candomblé baiano
Aquela que sabe tudo
Sobre as ervas
Sobre a alquimia do amor"

Deaaá! Deeerê! Deaaá!

O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!
O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...(2x)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

não vá se perder por aí

Veja como vem
Veja bem!
Veja como vem...
Vai, vai, vem
Veja bem:
como vai, vem
Veja como vai
Veja bem
Veja bem como vem

Vai vem se ela vai também
Cuidado meu amigo
Não vá se estrepar
Não queira dar um passo mais largo
Que as pernas podem dar
Não se iluda com um beijo
Uma frase ou um olhar
Não vá se perder por aí...

Veja como vem
Veja bem
Veja como vem
Vai, vai, vem
Veja bem
Como vai, vem
Veja como vai
Veja bem
Veja bem como vem

Vai vem se ela vai também

Você é bem grandinho
Já pode se cuidar e
Ir seguindo o seu caminho
Sempre errando até um dia acertar
Mas não tenha muita pressa
Vá tentando devagar
Só não vá se perder por aí...


Nâo Vá Se Perder Por Aí. Os Mutantes. Composição: Arnaldo Dias Baptista - Ritta Lee - Arnolpho Lima Filho(Liminha)

terça-feira, 25 de novembro de 2008

terça-feira, 14 de outubro de 2008

rádio

Rodo Cotidiano - O Rappa




Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)

É...
A idéia lá corria solta
Subia a manga amarrotada social
No calor alumínio não tinha caneta nem papel
E uma idéia fugia
Era o rodo cotidiano (2x)

O espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma quentinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada (2x)

Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)

Não se anda por onde gosta
Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some ela no ralo de gente
Ela é linda mas não tem nome
É comum e é normal

Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que corta as ruas
Da minhoca de metal
Como um Concorde apressado cheio de força
Voa, voa mais pesado que o ar
O avião do trabalhador

Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)

O espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma vidinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada (2x)

Não se anda por onde gosta
Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some ela no ralo de gente
Ela é linda mas não tem nome
É comum e é normal

Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que entorta as ruas
Da minhoca de metal que entorta as ruas
Como um Concorde apressado cheio de força
Voa, voa mais pesado que o ar
O avião do trabalhador

Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)


Reza Vela - O Rappa




Composição: Marcos Lobato / Rodrigo Valle / Marcelo Lobato / Marcelo Falcão / Xandão / Lauro Farias

Larara....
A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
Pedidos e preces viram cera quente

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre e corre e ninguém tá

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
an an an a tua avenida,
an an an
A cera foi tarrada
Não se admire

Ta no céu não espere o tiro apenas
mire
A cera foi tarrada
Não se admire
Tá no céu balão de bucha não espere o tiro apenas
mire

(2x)
Depois da benção o peito amassado
É hora do cerol é hora do traçado
Quem não cobre fica no samba atravessado
Sobe balão no céu rezado

A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Viram cera quente
Viram cera

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre ninguém ta
A molecada corre ninguém ta

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
ah ah ah a tua avenida
An An An
A cera foi tarrada
Não se admire

Tá no céu o balão de bucha não espere o tiro apenas
mire
A cera foi tarrada nao se admire
Tá no seu balão de bucha não espere o tiro apenas
mire

(sobe balão nos eu rezado..larara
Sobe balão sobe balão sobe balão)

lararararara....

(A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
Pedidos e preces viram cera quente

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo )


Nada será como antes - Milton Nascimento, Ronaldo Bastos




Nada será como antes - Milton Nascimento, Ronaldo Bastos

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Milagre dos peixes
- Wayne Shorter,Herbie Hancock
Stanley Clarke,Robertinho Silva -






Eu vejo esses peixes e vou de coração
Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza
Telas falam colorido de crianças coloridas
De um gênio televisor
E no andor de nossos novos santos
O sinal de velhos tempos
Morte, morte, morte ao amor
Eles não falam do mar e dos peixes
Nem deixam ver a moça, pura canção
Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol
E eu apenas sou um a mais, um a mais
A falar dessa dor, a nossa dor
Desenhando nessas pedras
Tenho em mim todas as cores
Quando falo coisas reais
E no silêncio dessa natureza
Eu que amo meus amigos
Livre, quero poder dizer
Eu vejo esses peixes e dou de coração

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quinta-feira

Caetano Veloso - Força estranha





Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor
Do caminho daquele menino...

Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei...

Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou prá eu olhar
Para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou...

Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha...

Eu vi muitos cabelos brancos
Na fonte do artista
O tempo não pára e no entanto
Ele nunca envelhece...

Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada
É o pé e é o chão...

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada
Vontade encoberta
E a coisa mais certa
De todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada
É o sol...

Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz, essa voz
Tamanha...(

sábado, 7 de junho de 2008

anjo vadio

Anjo Vadio

no meu lado delirante
tem sempre um anjo vadio
andando de trás prá diante
bêbado feito uma porta
proclamando aos sete ventos
que o mundo não tem saída
dizendo que não suporta essa vida

no meu lado burocrata
tem sempre um pobre diabo
de paletó e gravata
em pleno verão carioca
que as vezes perde a cabeça
e canta choroso e terno
quero que você me aqueça nesse inverno

no meu lado delinqüente
tem sempre um tipo valente
que tem olhar muito louco
e desafia o futuro
que ama o cheiro da rua
costuma andar na avenida
no lado escuro onde a vida continua


Composição: Olivia Byington / Geraldo Carneiro
"meu amor por você é uma idéia
que eu tive ao deslizar os pés na areia do Leblon"

sábado, 1 de dezembro de 2007

Canção sertaneja




versão melhorada:




canção sertaneja

Uma canção sertaneja

é aquela que seja o eterno luar

é um amor é uma feira

é gente querendo estar em outro lugar

é como o dia seguinte

as coisas que a gente quer eternizar

primeiro amor

céu de verão

luzes de um belo olhar

tempo de espera,

de gestação,

vida ,

fecundação

carro de boi

cheiro de chão

mato pra capinar

faz ver na terra

as zonas rurais

sons cores matagais

Uma cançaõ sertaneja é aquela que seja o eterno luar

é um amor é uma feira

é gente querendo estar noutro lugar

é como o dia seguinte

as coisas que a gente quer eternizar

primeiro amor

céu de verão

luzes de um belo olhar

tempo de espera, vida fecundação

carro de boi

cheiro de chão

mato pra capinar

e um lobisomem sempre disposto a nos amedrontar

Uma cançaõ sertaneja é aquela que seja o eterno luar
é um amor é uma feira
é gente querendo estar noutro lugar
é como o dia seguinte
as coisas que a gente quer eternizar
primeiro amor
céu de verão
luzes de um belo olhar
tempo de espera, de gestação, vida, fecundação
carro de boi
cheiro de chão
mato pra capinar
e um lobisomem sempre disposto a nos amedrontar

(intérprete Marialice, No mundo a passeio, 1997, disponível em mp3)

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

eu pensei nos marginais

Num dia desses, fui parar sem querer em blogs especializados em discos de vinil. Fiquei maravilhado com tanta coisa antiga e muitas outras nem tão antigas assim que estão por aí facilmente disponibilizadas para dowload. Tem música para todo gosto, desgosto e mau gosto - a maioria desconhecida das grandes massas, eu incluso.
E lá fui eu, navegando de link em link, procurando os LPs ("long play") que fizeram minha cabeça na adolescência. E, maravilha das maravilhas, acabei encontrando o "Corra o risco" de Olivía Byington, cujo disco chegou às minhas mãos e ouvidos graças a um amigo de Itapetininga, o Salvador, mais conhecido como Salva (será que ele ainda tem o disco?).





Serviço: para baixar Corra o Risco, vá por aqui.

Brilho Da Noite
A Barca do Sol

Eu andava só por essa estrada,

Com o grito preso na garganta,

Com os olhos rasos na navalha,

Sinto caçar-me como um bicho no fundo dessa sala,

No fundo desse mundo!

Com os olhos rasos na navalha,

Com um arrepio no cabelo,

Com o aço preso na cintura,

Como um pássaro noturno, voando péla escada,

Roendo o som - é o galo!

Ouço os clarins da noite negra,

Acho e capturo o mal da noite,

Paro e me disperso do futuro,

Fico rodando nessa estrada, com o grito na garganta,

Os olhos na navalha!

O aço brilha no escuro!

(3X)Aaaahhh!

Corra O Risco
A Barca do Sol

Nos doces lábios da cigana, você se engana...

É tão difícil ver na frente qual o seu medo...

Durante o dia, se você deita,

Pela janela, o inimigo espreita,

Você estremece, mas fica mudo de horror,

E treme de pavor!

Durante a noite, é diferente - tá tudo escuro!

Se você pensa no futuro, cai no sono!

E no seu sonho, subitamente,

A cama feita, o inimigo espreita,

Você estremece, mas fica mudo de horror,

E treme de pavor!

No outro dia, o mesmo medo, a mesma hora,

A solidão vem desde cedo - e devora!

Não adianta, ela não passa,

Qualquer que seja a reza que você faça,

Porque, no fundo, você não pode suportar,

A hora de arriscar!

Lobo Do Mar
A Barca do Sol

É como,

Se não houvesse solidão,

Talvez como eu costumava fazer anos atrás...

Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam, só dançam o lobo do mar,

Aaaahhh!

E também de suas línguas escorre o sumo da estagnação,

Para mim, o saber tranquilo da rejeição...

Oooooohhhh!!

E cospem víboras,

E dançam sangue...

Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam vitórias pro lobo do mar,

Pros dentes de aço do lobo do mar,

Aaaaahh!!E cospem víboras,

E dançam sangue...

Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam vitórias pro lobo do mar,

Pros dentes de aço do lobo do mar,

Aaaaahh!!Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam vitórias pro lobo do mar,

Pros dentes de aço do lobo do mar,Aaaaahh!!

Lady Jane
A Barca do Sol
Composição: Nando Carneiro e Geraldo Carneiro


Lady Jane

Respiro o cheiro dos esgotos no chão

Sob essas catedrais de Babel

Ah, Lady Jane

Eu sinto o gosto dos esgotos no chão

Sob essas catedrais

Sob essa escuridão

Os edifícios tem de cair

Ah, Lady Jane

Toda essa terra vai se consumir

Com os seus mistérios

Como uma fogueira

Vai queimar

Ah, Lady Jane

Eu tive um sonho estranho

De morte

Os Pilares da Cultura
A Barca do Sol

Não puxe a arma,

Não faça drama,

Procure manter a calma,

Nã, não voa!

Não cuspa fora,

Não perca o sono,

Prefira sempre a balada,

Uma gelada!

Não force a barra,

Não gaste a grana,

Evite cair no gôto,

Do esgoto!!

Não abra o frasco,

Não perca sangue,

Refresque seus temores numa Brahma!

Não abra o verbo,

Não queime a cama,

Quero que você esqueça deste inferno!!

sexta-feira, 6 de julho de 2007

meninos, eu vi!

E não é que eu assisti a um show do grupo Raíces de América?
Foi ontem, em Piracicaba - na UNIMEP, mais precisamente.
Eu, Nazaré e suas amigas, Patrícia, Rô e Tati.
Pena que eu não levei a máquina fotográfica, pois os músicos foram extremamente simpáticos, não apenas interagindo com a platéia durante a apresentação, como tb indo ao saguão do auditório após o espetáculo, para conversar com os presentes.
Eu tietei bastante, conversando com alguns dos músicos e até comprando uma bela camiseta pintada pelas mãos do "chico" Pedro.
Confesso que quando Nazaré me convidou para ir ao show, fiquei surpreso. Afinal, eu pensava que o Raíces de América já nem existia mais, talvez aniquilado pelos tum-tum-tuns das músicas comerciais que a mídia brasileira impõe aos nossos delicados ouvidos. Mas, q bom! o grupo continua firme e forte, sobrevivendo à massificação e banalização
Bom, não tirei fotos nem gravei vídeos, mas encontrei no Youtube o vídeo que vai abaixo, cuja música ouvimos ontem lá no auditório da UNIMEP.





Raíces de América interpretando a canção Negra de Colores, de Willy Werdaguer:

sexta-feira, 22 de junho de 2007

gosto desse disco inteiro


<< >>
Love Song

Pois nasci nunca vi
Amor e ouço d'el sempre falar
Pero sei que me quer matar
mais rogarei a mia senhor
que me mostr' aquel matador
ou que m' ampare d'el melhor

<< >>
Metal Contra As Nuvens

Não sou escravo de ninguém
Ninguém senhor do meu domínio
Sei o que devo defender
E por valor eu tenho
E temo o que agora se desfaz
Viajamos sete léguas
Por entre abismos e florestas
Por Deus nunca me vi tão só
É a própria fé o que destrói
Estes são dias desleais
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão
Reconheço o meu pesar
Quando tudo é traição
O que venho encontrar
É a virtude em outras mãos
Mas minha terra é a terra que é minha
E sempre será minha terra
Tem a lua, tem estrelas e sempre terá

II Quase acreditei na sua promessa
E o que vejo é fome e destruição
Perdi a minha sela e a minha espada
Perdi o meu castelo e minha princesa
Quase acreditei, quase acreditei
E, por honra, se existir verdade
Existem os tolos e existe o ladrão
E há quem se alimente do que é roubo
Vou guardar o meu tesouro
Caso você esteja mentindo
Olha o sopro do dragão

III É a verdade que assombra
O descaso que condena
A estupidez que o destrói
Eu vejo tudo o que se foi
E o que não existe mais
Tenho os sentidos já dormentes
O corpo quer, a alma entende
Essa é a terra-de-ninguém
E sei que devo resistir -
Eu quero a espada em minhas mãos
Sou metal - raio, relâmpago e trovão
Sou metal, eu sou o ouro em seu brasão
Sou metal: me sabe o sopro do dragão
Não me entrego sem lutar -
Tenho ainda coração
Não aprendi a me render
Que caia o inimigo então

IV - Tudo passa, tudo passará
E nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz
Teremos coisas bonitas para contar
E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe para trás -
Apenas começamos
O mundo começa agora -
Apenas começamos

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A Montanha Mágica


Sou meu próprio líder: ando em círculos
Me equilibro entre dias e noites
Minha vida toda espera algo de mim
Meio-sorriso, meia-lua, toda tarde
Minha papoula da India
Minha flor da Tailândia
Es o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Ficou logo o que tinha ido embora
Estou só um pouco cansado
Não sei se isto termina logo
Meu joelho dói
E não há nada a fazer agora
Para que servem os anjos ?
A felicidade mora aqui comigo
Até segunda ordem
Um outro agora vive minha vida
Sei o que ele sonha, pensa e sente
Não é coincidência a minha indiferença
Sou uma cópia do que faço
O que temos é o que nos resta
E estamos querendo demais
Minha papoula da India
Minha flor da Tailândia
Es o que tenho de suave
E me fazes tão mal
Existe um descontrole, que corrompe e cresce
Pode até ser, mas estou pronto pra mais uma
O que é que desvirtua e ensina ?
O que fizemos de nossas próprias vidas ?
O mecanismo da amizade,
A matemática dos amantes -
Agora só artesanato:
Os restos são escombros
Mas é claro que não vamos lhe fazer mal
Nem é por isso que estamos aqui
Cada criança com seu próprio canivete
Cada líder com seu próprio .38
Minha papoula da India
Minha flor da Tailândia
Chega - vou mudar a minha vida
Deixa o copo encher até a borda
Que eu quero um dia de sol n'um copo d'água


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O Teatro Dos Vampiros

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E destes dias tão estranhos
Fica a poeira se escondendo pelos cantos
Este é o nosso mundo:
O que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance
Ninguém vê onde chegamos
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo,
Eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém

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Sereníssima

Sou um animal sentimental
Me apego facilmente ao que desperta o meu desejo
Tente me obrigar a fazer o que não quero
E você vai logo ver o que acontece
Acho que entendo o que você quis me dizer
Mas existem outras coisas
Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade
Tudo está perdido mas existem possibilidades
Tínhamos a idéia, você mudou os planos
Tínhamos um plano, você mudou de idéia
Já passou, já passou - quem sabe outro dia
Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez ?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade
Não estou mais interessado no que sinto
Não acredito em nada além do que duvido
Você espera respostas que não tenho
Não vou brigar por causa disso
Até penso duas vezes se você quiser ficar
Minha laranjeira verde, porque está tão prateada ?
Foi da lua desta noite, do sereno da madrugada
Tenho um sorriso bobo, parecido com soluço
Enquanto o caos segue em frente
Com toda a calma do mundo

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Vento No Litoral

De tarde quero descansar, chegar até a praia
Ver se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora
Agora está tão longe
Vê, a linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos na mesma direção
Aonde está você agora
Além de aqui dentro de mim ?
Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
Quando vejo o mar Existe algo que diz:
- A vida continua e se entregar é uma bobagem
Já que você não está aqui
O que posso fazer é cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem ?
- Ei, olha só o que achei: cavalos-marinhos
Sei que faço isso para esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora


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O Mundo Anda Tão Complicado

Gosto de ver você dormir
Que nem criança com a boca aberta
O telefone chega sexta-feira
Aperta o passo, por causa da garoa
Me empresta um par de meias
A gente chega na sessão das dez
Hoje eu acordo ao meio-dia
Amanhã é a sua vez
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Temos que consertar o despertador
E separar todas as ferramentas
A mudança grande chegou
Com o fogão e a geladeira e a televisão
Não precisamos dormir no chão
Até que é bom, mas a cama chegou na terça
E na quinta chegou o som
Sempre faço mil coisas ao mesmo tempo
E até que é fácil acostumar-se com o meu jeito
Agora que temos nossa casa
É a chave que sempre esqueço
Vamos chamar nossos amigos
A gente faz uma feijoada
Esquece um pouco do trabalho
E fica de bate-papo
Temos a semana inteira pela frente
Você me conta como foi seu dia
E a gente diz um pro outro:
- Estou com sono, vamos dormir !
Vem cá meu bem, que é bom lhe ver
O mundo anda tão complicado
Que hoje eu quero fazer tudo por você
Quero ouvir uma canção de amor
Que fale da minha situação
De quem deixou a segurança do seu mundo
Por amor
Por amor

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L'âge D'or

L'âge D'or
Aprendi a esperar mas não tenho mais certeza
Agora que estou bem, tão pouca coisa me interessa
Contra minha própria vontade sou teimoso, sincero
E insisto em ter vontade própria
Se a sorte foi um dia alheia ao meu sustento
Não houve harmonia entre ação e pensamento
Qual é o teu nome, qual é o teu signo ?
Teu corpo é gostoso, teu rosto é bonito
Qual é o teu arcano, tua pedra preciosa -
Acho tocante acreditares nisso
Já tentei muitas coisas, de heroína a Jesus
Tudo que já fiz foi por vaidade
Jesus foi traído com um beijo
Davi teve um grande amigo
E não sei mais se é só questão de sorte
Eu vi uma serpente entrando no jardim
Vai ver que é de verdade desta vez
Meu tornozelo coça, por causa de mosquito
Estou com os cabelos molhados, me sinto limpo
Não existe beleza na miséria
E não tem volta por aqui
Vamos tentar outro caminho
Estamos em perigo, só que ainda não entendo
É que tudo faz sentido
E não sei mais se é só questão de sorte
Não sei mais não sei mais não sei mais
Oh, oh Lá vem os jovens gigantes de mármore
Trazendo anzóis na palma da mão
Não é belo todo e qualquer mistério ?
O maior segredo é não haver mistério algum

sexta-feira, 4 de maio de 2007

lyrics

Jardins da Babilônia

Suspenderam
Os Jardins da Babilônia
Eu prá não ficar por baixo
Resolvi!
Botar as asas prá fora
Porque!..
"Quem não chora dali"
"Não mama daqui"
Diz o ditado
Quem pode, pode
Deixa os acomodados
Que se incomodem...
Minha saúde não é de ferro não
Mas meus nervos são de aço
Prá pedir silêncio eu berro
Prá fazer barulho
Eu mesma faço
Ou não!...
Pegar fogo
Nunca foi atração de circo
Mas de qualquer maneira
Pode ser!
Um caloroso espetáculo
Então!...
O palhaço ri dali
O povo chora daqui
E o show não pára
E apesar dos pesares do mundo
Vou segurar essa barra...
Minha saúde não é de ferro
Não é não!
Mas meus nervos são de aço
Prá pedir silêncio eu berro
Prá fazer barulho
Eu mesma faço
Ou não!...
Minha saúde não é de ferro
Não é não!
Mas meus nervos são de aço
Prá pedir silêncio eu berro
Prá fazer barulho
Eu mesma faço...
Suspenderam
Os Jardins da Babilônia
Eu prá não ficar por baixo
Resolvi!
Botar as asas prá fora
Porque!..
"Quem não chora dali"
"Não mama daqui"
Diz o ditado
Êh êh êh êh!
Quem pode, pode
Deixa os acomodados
Que se incomodem...



O Quereres
Caetano Veloso, in: Velô)

Onde queres revólver, sou coqueiro
E onde queres dinheiro, sou paixão
Onde queres descanso, sou desejo
E onde sou só desejo, queres não
E onde não queres nada, nada falta
E onde voas bem alto, eu sou o chão
E onde pisas o chão, minha alma salta
E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco
E onde queres romântico, burguês
Onde queres Leblon, sou Pernambuco
E onde queres eunuco, garanhão
Onde queres o sim e o não, talvez
E onde vês, eu não vislumbro razão
Onde o queres o lobo, eu sou o irmão
E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito
E onde queres ternura, eu sou tesão
Onde queres o livre, decassílabo
E onde buscas o anjo, sou mulher
Onde queres prazer, sou o que dói
E onde queres tortura, mansidão
Onde queres um lar, revolução
E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor
Construir-nos dulcíssima prisão
Encontrar a mais justa adequação
Tudo métrica e rima e nunca dor
Mas a vida é real e de viés
E vê só que cilada o amor me armou
Eu te quero (e não queres) como sou
Não te quero (e não queres) como és

Ah! Bruta flor do querer
Ah! Bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo
E onde queres romance, rock'n roll
Onde queres a lua, eu sou o sol
E onde a pura natura, o inseticídio
Onde queres mistério, eu sou a luz
E onde queres um canto, o mundo inteiro
Onde queres quaresma, fevereiro
E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim tão desigual
Faz-me querer-te bem, querer-te mal
Bem a ti, mal ao quereres assim
Infinitivamente pessoal
E eu querendo querer-te sem ter fim
E, querendo-te, aprender o total
Do querer que há e do que não há em mim




Ninguém faz idéia.
In Labiata. Composição: Lenine / Ivan Santos)

Malucos e donas de casa
Vocês aí na porta do bar
Os cães sem dono, os boiadeiros
As putas Babalorixás...

Os Gênios, os caminhoneiros
Os sem terra e sem teto
Atôres, Maestros, Djs
Os Undergrounds, os Megastars
Os Rolling Stones e o Rei...

Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...

Ciganas e neo-nazistas
O bruxo, o mago pajé
Os escritores de science fiction
Quem diz e quem nega o que é...

Os que fazem greve de fome
Bandidos, cientistas do espaço
Os prêmios nobel da paz
O Dalai Lama, o Mister Bean
Burros, Intelectuais...

Eu pensei!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...(2x)

Os líderes de última hora
Os que são a bola da vez
Os encanados, divertidos
Os tais que traficam bebês...

O que bebe e passa da conta
Os do cyber espaço
A capa do mês da playboy
O novo membro da academia
E o mito que se auto destrói...

Eu sei!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...

Os duros, os desclassificados
A vanguarda e quem fica prá traz
Os dorme sujos, os emergentes
Os espiões industriais...

Os que catam restos de feira
Milicos piratas da rede
Crianças excepcionais
Os exilados, os executivos
Os clones e os originais...

É a lei!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!
De quem vem lá!
De quem vem lá!
Ninguém faz idéia
De quem vem lá!...(2x)

Os Anjos, os Exterminadores
Os Velhos jogando bilhar
O Vaticano, a CIA
O Boy que controla radar
Anarquista, Mercenários, quem é?
Quem é e quem fabrica notícia
Quem crê na reencarnação
Os Clandestinos, os Ilegais
Os Gays, os Chefes da Nação
Ninguém faz idéia
De quem vem lá...




Lá vem a cidade
In: Labiata. Composição: Lenine / Bráulio Tavares)
(as cidades explodindo)

Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar...

Vi a cidade passando,
Rugindo, através de mim...
Cada vida
Era uma batida
Dum imenso tamborim.
Eu era o lugar, ela era a viagem
Cada um era real, cada outro era miragem.

Eu era transparente e era gigante
Eu era a cruza entre o sempre e o instante
Letras misturadas com metal
E a cidade crescia como um animal,
Em estruturas postiças,
Sobre areias movediças,
Sobre ossadas e carniças,
Sobre o pântano que cobre o sambaqui...
Sobre o país ancestral
Sobre a folha do jornal
Sobre a cama de casal onde eu nasci.

A cidade
Passou me lavrando todo...
A cidade chegou me passando no rodo...
Passando como um caminhão passa num segundo
Quando desce a ladeira na pressa do socorro

Veio com luzes e sons.
Com sonhos maus, sonhos bons.
Falava como um camões,
Gemia feito pantera.
Ela era...
Bela... fera.

Desta cidade um dia só restará
O vento que levou meu verso embora...
Mas onde ele estiver, ela estará:

Um será o mundo de dentro,
Será o outro o mundo de fora.

Vi a cidade fervendo
Na emulsão da retina.
Crepitar de vida ardendo,
Mariposa e lamparina.
A cidade ensurdecia,
Rugia como um incêndio,
Era veneno e vacina...

Eu pairava no ar, e olhava a cidade
Passando veloz lá embaixo de mim.
Eram dez milhões de mentes,
Dez milhões de inconscientes,
Se misturam... viram entes...
Os quais conduzem as gentes
Como se fossem correntes
Dum rio que não tem fim

Esse ruído
São os séculos pingando...
E as cidades crescendo e se cruzando
Como círculos na água da lagoa.
E eu vi nuvens de poeira
E vi uma tribo inteira
Fugindo em toda carreira
Pisando em roça e fogueira
Ganhando uma ribanceira...
E a cidade vinha vindo,
A cidade vinha andando,
A cidade intumescendo:
Crescendo... se aproximando.

Eu vim plantar meu castelo
Naquela serra de lá,
Onde daqui a cem anos
Vai ser uma beira-mar...




Só se For a DoisCazuza
Composição: Cazuza / Rogério Meanda

Aos gurus da Índia
Aos judeus da Palestina
Aos índios da América Latina
E aos brancos da África do Sul
O mundo é azul
Qual é a cor do amor?
O meu sangue é negro, branco
Amarelo e vermelho

Aos pernambucanos
E aos cubanos de Miami
Aos americanos russos
Armando seus planos

Ao povo da China
E ao que a história ensina
Aos jogos, aos dados
Que inventaram a humanidade

As possibilidades de felicidade
São egoístas, meu amor
Viver a liberdade, amar de verdade
Só se for a dois
(Só a dois)

Aos filhos de Ghandi
Morrendo de fome
Aos filhos de Cristo
Cada vez mais ricos

O beijo do soldado em sua namorada
Seja pra onde for
Depois da grande noite
Vai esconder a cor das flores
E mostrar a dor
(A dor)


Fantasma da Ópera
A Barca do Sol, voz Olivia Byington

No umbigo do país
Quando a ópera acabou
Eu pensei nos marginais
Nas mulheres de Paris
Mariposas do canal
E morcegos da matriz
Quando a ópera acabou
No umbigo do país
Mas não era carnaval
De idiotas e canções
Acabou sem um som
Lá fui eu outra vez
Cemitério de faróis
Sem um gosto e sem vinténs
Quando a ópera acabou
Sem degredo e nem porém
Quando o sonho terminou
Sem segredo e nem clarim
Eu reconheci na canção
Tudo que você escondeu
No umbigo do país.


Medo de amar nº3
(Péricles Cavalcanti)
Voz Adriana Calcanhoto


Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Também diz que eu sou um bruto
E me chama de vadio
Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer
Você diz que eu sou demente
Que eu não tenho salvação
Você diz que eu, simplesmente,
Sou carente de razão
Você diz que eu te envergonho
Também diz que eu sou cruel
Que no teatro do teu sonho
Para mim não tem papel
Você não tem medo de mim...
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo, é de você
Você tem medo, é de querer
Me amar


A Lua Girou
Milton Nascimento

A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
(2x)

Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer...

Travesseiro dos meus braços
Só não faz se não quiser
(2x)

Sustenta a palavra de homem
Que eu mantenho a de mulher
Sustenta a palavra de homem...

A lua girou, girou
Traçou no céu um compasso
(2x)

Eu bem queria fazer um travesseiro dos seus braços
Eu bem queria fazer...



Os Povos
Milton Nascimento E Márcio Borges

Na beira do mundo
Portão de ferro, aldeia morta, multidão
Meu povo, meu povo
Não quis saber do que é novo, nunca mais
Eh! Minha cidade
Aldeia morta, anel de ouro, meu amor
Na beira da vida
A gente torna a se encontrar só

Casa iluminada
Portão de ferro, cadeado, coração
E eu reconquistado
Vou passeando, passeando e morrer
Perto de seus olhos
Anel de ouro, aniversário, meu amor
Em minha cidade
A gente aprende a viver só

Ah, um dia, qualquer dia de calor
É sempre mais um dia de lembrar
A cordilheira de sonhos que a noite apagou

Eh! Minha cidade
Portão de ouro, aldeia morta, solidão
Meu povo, meu povo
Aldeia morta, cadeado, coração
E eu reconquistado
Vou caminhando, caminhando e morrer
Perto de seus olhos
A gente aprende a morrer só
Meu povo, meu povo
Pela cidade a viver só

Homenagem à "Graúna", do Henfil

No final da década de 1970, eu era apenas um adolescente curioso quando, por acaso, frequentando a banca de jornais da rodoviária de Itapeti...