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terça-feira, 28 de novembro de 2006

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No último dia 24, o reitor da Universidade Metodista de São Paulo, Davi Ferreira Barros, esteve em Itapeva para anunciar que não haverá vestibular para ingresso de novos alunos em 2007.
O reitor alegou que a faculdade de Itapeva estaria em "situação irregular" junto ao MEC, mas não especificou que tipo de irregularidade é essa.
A notícia caiu como uma pedra na cabeça dos professores, alunos e funcionários da Metodista de Itapeva.
Eu, que não estive presente à reunião, também me espantei com a notícia e com a justificativa apresentada.
Afinal, o MEC não tem agido com rigor nem com as faculdades que tiram seguidas notas "E" no provão. Então, porque proibiria justamente a Metodista de Itapeva em realizar vestibular para 2007, uma faculdade que vem dia a dia crescendo na sua infraestrutura e amadurecendo acadÊmicamente?


E mais: uma faculdade que superou todas as demais da região no último provão!


Outro motivo que causa estranhamento é que, até onde sei, a Metodista de Itapeva não é nem um pouco deficitária financeiramente, não oferecendo prejuízo algum à mantenedora em São Paulo.
É certo que a Metodista de Itapeva tem muito ainda a melhorar, como, aliás, todas as outras faculdades particulares e públicas.
Mas, daí dizer que não pode fazer vestibular para 2007 já são outros quinhentos.


Minha teoria conspiratória: a reitoria da Metodista de São Paulo foi pressionada por "forças ocultas" para fechar a unidade de Itapeva, beneficiando assim as faculdades concorrentes, do tipo daquelas que oferecem ensino à distância.

Será isso só imaginação fértil!!???



(na foto acima: alunos do Primeiro ano de Letras)

terça-feira, 30 de maio de 2006

qual a sua tese, mesmo?

Ontem levei minha dissertação de mestrado para a aula. Eu ia falar de "etapas do processo de pesquisa" e achei que o melhor exemplo que eu poderia dar sobre isso seria o meu próprio. Decidi levar a pesquisa de mestrado e não a do doutorado, pois eu fui mais "c.d.f" na primeira vez, fazendo tudo o que manda o protocolo do bom pesquisador acadêmico.
E assim lá estava eu, na sala de aula, com uma tese na mochila, diante de 30 jovens cabeças. Embora eu não fosse falar do tema da minha pesquisa (a Psicologia e a Pedagogia no Brasil), mas apenas como "isso" foi realizado e chegou ao fim, é claro que fiquei um tanto constrangido. Primeiro, porque poderia parecer autopromoçào e, segundo e mais importante, porque fiquei com sérias dúvidas sobre o interesse que esse tipo de coisa pode ter para alunos de Publicidade e Propaganda.
Daí que deixei para falar da minha pesquisa quase que ao final da aula. Fui retirando da mochila páginas amareladas (ainda datilografadas!) do projeto original, dos relatórios parciais e, por fim, da própria dissertação, tb amarelada e já com sinais da passagem que alguns cupins andam fazendo pela biblioteca aqui em casa.
Quatro ou cinco alunos (ainda bem que existem eles!) pediram para folhear os papéis e a tese.
Fiquei ansioso. O que iriam dizer?
Uns fizeram comentários admirados: "puxa, professor! que trabalhão, hein?", "e o senhor tinha tempo de ver a família"? Outros foram irônicos: "olha, o professor sabe datilografar!"; "ah, quanto o senhor pagou para escreverem isso?"; "onde o senhor comprou essa tese?".
Esses comentários são bem interessantes: eles revelam a visão que a maioria das pessoas tem sobre a pesquisa acadêmica: ela é sobre-humana (ô Pasquale! é assim q se escreve?) e somente os "gênios da raçã" é que podem desenvolvê-la.
A coisa não é bem assim, na verdade. Embora desenvolver uma pesquisa de mestrado ou doutorado imponha certos sacrifícios pessoais e até profissionais e familiares, realizar, hoje, o mestrado ou o doutorado já não é mais como erguer pedras morro arriba.
Primeiro, porque a pós-graduação está cada vez mais ágil, exigindo que os pesquisadores desenvolvam suas pesquisas no menor tempo possível (2 anos para mestrado e 3 para doutorado, em média). Essa redução no tempo de realização dos cursos stricto-sensu foi imposta pela CAPES em meados da década de 1990, atendendo as novas exigências do mercado de trabalho criado pela criação sempre crescente de novas faculdade particulares. Segundo, porque o aumento do número de teses defendidas ocasionou, em contrapartida, a diminuiçào das exigências para a sua realização. Isto é, o Brasil produz hoje mais teses, e, portanto, forma mais mestres e doutores, mas, por outro lado, ainda produz poucas (relativamente) teses realmente boas.
Pode parecer pedante e arrogante da minha parte dizer esse tipo de coisa, pois podem pensar que faço o elogio das minhas pesquisas e critico as dos outros. Não é isso. Até acho que as pesquisas que fiz no mestrado e no doutorado poderiam ser melhores em alguns aspectos (ninguém é perfeito!). A questão que coloco é mais grave, pois se refere à própria natureza da pesquisa nos cursos de pós-graduação: pesquisar para quê? Para formar pesquisadores ou simples professores para as faculdades particulares, a fim de cumprir as exigências da lei (que obriga 2/3 do corpo docente possuir titulação mínima de mestre)?
Esse é um dilema sério da pós-graduação atualmente. Ficam aqui esses pensamentos para os meus alunos pensarem a respeito.

Homenagem à "Graúna", do Henfil

No final da década de 1970, eu era apenas um adolescente curioso quando, por acaso, frequentando a banca de jornais da rodoviária de Itapeti...