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terça-feira, 14 de outubro de 2008

rádio

Rodo Cotidiano - O Rappa




Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)

É...
A idéia lá corria solta
Subia a manga amarrotada social
No calor alumínio não tinha caneta nem papel
E uma idéia fugia
Era o rodo cotidiano (2x)

O espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma quentinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada (2x)

Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)

Não se anda por onde gosta
Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some ela no ralo de gente
Ela é linda mas não tem nome
É comum e é normal

Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que corta as ruas
Da minhoca de metal
Como um Concorde apressado cheio de força
Voa, voa mais pesado que o ar
O avião do trabalhador

Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)

O espaço é curto quase um curral
Na mochila amassada uma vidinha abafada
Meu troco é pouco, é quase nada (2x)

Não se anda por onde gosta
Mas por aqui não tem jeito, todo mundo se encosta
Ela some ela no ralo de gente
Ela é linda mas não tem nome
É comum e é normal

Sou mais um no Brasil da Central
Da minhoca de metal que entorta as ruas
Da minhoca de metal que entorta as ruas
Como um Concorde apressado cheio de força
Voa, voa mais pesado que o ar
O avião do trabalhador

Ô Ô Ô Ô Ô my brother (4x)


Reza Vela - O Rappa




Composição: Marcos Lobato / Rodrigo Valle / Marcelo Lobato / Marcelo Falcão / Xandão / Lauro Farias

Larara....
A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
Pedidos e preces viram cera quente

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre e corre e ninguém tá

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
an an an a tua avenida,
an an an
A cera foi tarrada
Não se admire

Ta no céu não espere o tiro apenas
mire
A cera foi tarrada
Não se admire
Tá no céu balão de bucha não espere o tiro apenas
mire

(2x)
Depois da benção o peito amassado
É hora do cerol é hora do traçado
Quem não cobre fica no samba atravessado
Sobe balão no céu rezado

A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Viram cera quente
Viram cera

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo
São quase nada
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre e corre e ninguém tá triste
A molecada corre ninguém ta
A molecada corre ninguém ta

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
A cera foi tarrada
Não se admire

Se tudo move se o prédio é santo
Se é pobre mais pobre fica
Vira bucha de balão ao som de funk
E apertada tua avenida
ah ah ah a tua avenida
An An An
A cera foi tarrada
Não se admire

Tá no céu o balão de bucha não espere o tiro apenas
mire
A cera foi tarrada nao se admire
Tá no seu balão de bucha não espere o tiro apenas
mire

(sobe balão nos eu rezado..larara
Sobe balão sobe balão sobe balão)

lararararara....

(A chama da vela que reza
Direto com santo conversa
Ele te ajuda te escuta
Num canto coladas no chão as sombras mexem
Pedidos e preces viram cera quente
Pedidos e preces viram cera quente

A fé no sufoco da vela abençoada no dia dormido
O fogo já não existe ali saíram do abrigo )


Nada será como antes - Milton Nascimento, Ronaldo Bastos




Nada será como antes - Milton Nascimento, Ronaldo Bastos

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Num domingo qualquer, qualquer hora
Ventania em qualquer direção
Sei que nada será como antes, amanhã

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Sei que nada será como está, amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

Milagre dos peixes
- Wayne Shorter,Herbie Hancock
Stanley Clarke,Robertinho Silva -






Eu vejo esses peixes e vou de coração
Eu vejo essas matas e vou de coração à natureza
Telas falam colorido de crianças coloridas
De um gênio televisor
E no andor de nossos novos santos
O sinal de velhos tempos
Morte, morte, morte ao amor
Eles não falam do mar e dos peixes
Nem deixam ver a moça, pura canção
Nem ver nascer a flor, nem ver nascer o sol
E eu apenas sou um a mais, um a mais
A falar dessa dor, a nossa dor
Desenhando nessas pedras
Tenho em mim todas as cores
Quando falo coisas reais
E no silêncio dessa natureza
Eu que amo meus amigos
Livre, quero poder dizer
Eu vejo esses peixes e dou de coração

quinta-feira, 26 de junho de 2008

quinta-feira

Caetano Veloso - Força estranha





Eu vi um menino correndo
Eu vi o tempo
Brincando ao redor
Do caminho daquele menino...

Eu pus os meus pés no riacho
E acho que nunca os tirei
O sol ainda brilha na estrada
E eu nunca passei...

Eu vi a mulher preparando
Outra pessoa
O tempo parou prá eu olhar
Para aquela barriga
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou
O sol que atravessa essa estrada
Que nunca passou...

Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz tamanha...

Eu vi muitos cabelos brancos
Na fonte do artista
O tempo não pára e no entanto
Ele nunca envelhece...

Aquele que conhece o jogo
Do fogo das coisas que são
É o sol, é o tempo, é a estrada
É o pé e é o chão...

Eu vi muitos homens brigando
Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada
Vontade encoberta
E a coisa mais certa
De todas as coisas
Não vale um caminho sob o sol
E o sol sobre a estrada
É o sol sobre a estrada
É o sol...

Por isso uma força
Me leva a cantar
Por isso essa força
Estranha no ar
Por isso é que eu canto
Não posso parar
Por isso essa voz, essa voz
Tamanha...(

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

eu pensei nos marginais

Num dia desses, fui parar sem querer em blogs especializados em discos de vinil. Fiquei maravilhado com tanta coisa antiga e muitas outras nem tão antigas assim que estão por aí facilmente disponibilizadas para dowload. Tem música para todo gosto, desgosto e mau gosto - a maioria desconhecida das grandes massas, eu incluso.
E lá fui eu, navegando de link em link, procurando os LPs ("long play") que fizeram minha cabeça na adolescência. E, maravilha das maravilhas, acabei encontrando o "Corra o risco" de Olivía Byington, cujo disco chegou às minhas mãos e ouvidos graças a um amigo de Itapetininga, o Salvador, mais conhecido como Salva (será que ele ainda tem o disco?).





Serviço: para baixar Corra o Risco, vá por aqui.

Brilho Da Noite
A Barca do Sol

Eu andava só por essa estrada,

Com o grito preso na garganta,

Com os olhos rasos na navalha,

Sinto caçar-me como um bicho no fundo dessa sala,

No fundo desse mundo!

Com os olhos rasos na navalha,

Com um arrepio no cabelo,

Com o aço preso na cintura,

Como um pássaro noturno, voando péla escada,

Roendo o som - é o galo!

Ouço os clarins da noite negra,

Acho e capturo o mal da noite,

Paro e me disperso do futuro,

Fico rodando nessa estrada, com o grito na garganta,

Os olhos na navalha!

O aço brilha no escuro!

(3X)Aaaahhh!

Corra O Risco
A Barca do Sol

Nos doces lábios da cigana, você se engana...

É tão difícil ver na frente qual o seu medo...

Durante o dia, se você deita,

Pela janela, o inimigo espreita,

Você estremece, mas fica mudo de horror,

E treme de pavor!

Durante a noite, é diferente - tá tudo escuro!

Se você pensa no futuro, cai no sono!

E no seu sonho, subitamente,

A cama feita, o inimigo espreita,

Você estremece, mas fica mudo de horror,

E treme de pavor!

No outro dia, o mesmo medo, a mesma hora,

A solidão vem desde cedo - e devora!

Não adianta, ela não passa,

Qualquer que seja a reza que você faça,

Porque, no fundo, você não pode suportar,

A hora de arriscar!

Lobo Do Mar
A Barca do Sol

É como,

Se não houvesse solidão,

Talvez como eu costumava fazer anos atrás...

Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam, só dançam o lobo do mar,

Aaaahhh!

E também de suas línguas escorre o sumo da estagnação,

Para mim, o saber tranquilo da rejeição...

Oooooohhhh!!

E cospem víboras,

E dançam sangue...

Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam vitórias pro lobo do mar,

Pros dentes de aço do lobo do mar,

Aaaaahh!!E cospem víboras,

E dançam sangue...

Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam vitórias pro lobo do mar,

Pros dentes de aço do lobo do mar,

Aaaaahh!!Eles só falam do lobo do mar,

Só cantam vitórias pro lobo do mar,

Pros dentes de aço do lobo do mar,Aaaaahh!!

Lady Jane
A Barca do Sol
Composição: Nando Carneiro e Geraldo Carneiro


Lady Jane

Respiro o cheiro dos esgotos no chão

Sob essas catedrais de Babel

Ah, Lady Jane

Eu sinto o gosto dos esgotos no chão

Sob essas catedrais

Sob essa escuridão

Os edifícios tem de cair

Ah, Lady Jane

Toda essa terra vai se consumir

Com os seus mistérios

Como uma fogueira

Vai queimar

Ah, Lady Jane

Eu tive um sonho estranho

De morte

Os Pilares da Cultura
A Barca do Sol

Não puxe a arma,

Não faça drama,

Procure manter a calma,

Nã, não voa!

Não cuspa fora,

Não perca o sono,

Prefira sempre a balada,

Uma gelada!

Não force a barra,

Não gaste a grana,

Evite cair no gôto,

Do esgoto!!

Não abra o frasco,

Não perca sangue,

Refresque seus temores numa Brahma!

Não abra o verbo,

Não queime a cama,

Quero que você esqueça deste inferno!!

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

céu acima de nós


Desculpem o trocadilho fácil, mas ouso afirmar que
o Pensamento Comum foi para o céu ouvindo Maria do Céu.
Para confirmar que não estou exagerando, convido os leitores a clicar nos links abaixo:

Vídeos de shows da Maria do Céu no Yotube.

Músicas disponibilizadas no site de compras Submarino.

Release com direito a baixar três músicas do Urban Jungle.

Maria do Céu no Pílula Pop.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

já ouviu essa ?

Se até o ano 2000 o mundo não acabar
E eu estiver vivo na rua ou num bar
Eu vou pra sempre te esperar

Blues é assim, baby
Blues é assim
Blues é assim, baby
Blues é assim

Quando eu estiver velho, tarado e gagá
Com um copinho de cana eu vou lembrar
Do teu gingado, e os meus olhos vão brilhar

Blues é assim, baby
Blues é assim
Blues é assim, baby
Blues é assim

Mesmo que outras pessoas eu venha amar
E encontre com elas um pouco de paz
Eu vou pra sempre te esperar

Blues é assim, baby
Blues é assim
Blues é assim, baby
Blues é assim


(Blues do Ano 2000. Composição: Cazuza / George Israel / Nilo Romero)

sábado, 24 de junho de 2006

voz da Mata


(Postagem reeditada. A versào anterior estava muito grande.)


Se fosse possível misturar pessoas, Vanessa da Mata poderia ser vista (ou melhor: OUVIDA) como uma mistura de Gal Costa com Adriana Calcanhoto.

Embora a comparação possa parecer que eu esteja diminuindo a originalidade da cantora matogrossense, isso na verdade é um elogio.

Afinal, a maioria das canções que Vanessa canta são de sua própria autoria. Além de cantora, é poeta a moça.

Para nós homens é uma delícia ouvir a sua voz bem definida em canções de amor. Com excessão da "Não chore, homem", todas as demais canções que ouvi no CD (cópia pirata) são odes a felicidade do amor e da amizade.

Aliás, a "Não chore, homem' é um primor feminista. Ai-ai de nós, homens. A letra contém verdades duras que nós homens não gostamos de ouvir!! Leia a letra e entenderás...

Aqui em casa todo mundo ficou fã da Vanessa da Mata (aliás, o nome dela é assim mesmo: com um "v" e um "t"). Elisa e Eloá já cantam "Viagem" de cor!

viagem

Suspederam a viagem

Fui parar em outro trem
Que beleza de paisagem!
Fomos rumo a Belém

Agora que é tempo
Colher fruta madura no vento
Pequi não sai do meu pensamento
Bacia cheia de manga bourbon
Nasce um sol, nasce uma noite
E um menino também vem
Que beleza de paisagem!
É meu filho que passa bem
Agora é tarde, não dá para adiar a viagem
João tem três anos de idade
Não quero merecer outro lugar

Volto quem sabe um dia

Porque os trilhos já tiraram do chão

Olho as tardes, vivo a vida

Nada é em vão




quinta-feira, 13 de abril de 2006

três canções para a lua

Lua, lua, lua, lua

Lua, lua, lua, lua
Por um momento
Meu canto contigo compactua
E mesmo o vento canta-se
Compacto no tempo

Estanca
Branca, branca, branca, branca

A minha, nossa voz a tua sendo silêncio

Meu canto não tem nada a ver com a lua

Lua, lua, lua, lua
Lua, lua, lua, lua
Lua, lua,
lua, lua


Lua de São Jorge
Caetano Veloso

lua de são jorge
lua deslumbrante
azul verdejante
cauda de pavão
lua de são jorge
cheia branca inteira
oh minha bandeira
solta na amplidão
lua de são jorge
lua brasileira
lua do meu coração
lua de são jorge
lua maravilha
mãe, irmã e filha
de todo esplendor
lua de são jorge
brilha nos altares
brilha nos lugares
onde estou e vou
lua de são jorge
brilha sobre os mares
brilha sobre o meu amor
lua de são jorge
lua soberana
nobre porcelana
sobre a seda azul
lua de são jorge
lua da alegria
não se vê o dia
claro como tu
lua de são jorge
serás minha guia
no brasil de norte a sul

Lua e estrela
Caetano Veloso

Menina do anel de lua e estrela
Raios de sol no céu da cidade
Brilho da lua oh oh oh,
noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade

Manhã chegando
Luzes morrendo, nesse espelho
Que é nossa cidade
Quem é você, oh oh oh qual o seu nome
Conta pra mim, diz como eu te encontro
Mas deixa o destino, deixe ao acaso
Quem sabe eu te encontro
De noite no Baixo
Brilho da lua oh oh oh, noite é bem tarde
Penso em você, fico com saudade

sábado, 8 de abril de 2006

música e literatura

Nesses tempos da nova ignorância comandada pela mídia eletrônica, é comum ouvir das pessoas, jovens ou adultas, que não gostam de ler. Os especialistas em leitura costumam atribuir essa indisposição aos livros como efeito das poucas oportunidades de leitura prazerosa que o nosso sistema educacional oferece à grande massa, como também ao próprio estilo de vida moderno, cuja notória e histérica futilidade dos seus meios de comunicação parece agir de modo concorrente à leitura.

Dentro do meu melhor estilo de "herói das causas perdidas", vou fazer aqui uma pequena contribuição para a valorização da leitura, chamando a atenção dos meus parcos leitores para as relações entre música brasileira e literatura.

Começando pelo
legendário Renato Russo.

Dizem que ele amava os livros, assim como a sua guitarra. Nas suas músicas, ele faz várias referências á literatura. "
A Montanha Mágina", do disco "V", por exemplo, é o título do livro homônimo escrito por Thomas Mann em 1924. Já aquele famoso verso da música L'age d'or "o maior mistério é não haver mistério algum" é uma estrofe do também famoso poema "O guardador de rebanhos" e, indiretamente, ao "Primeiro Fausto", ambos de Fernando Pessoa.
Além dessas referências clássicas, Renato Russo também esbanjou cultura quando musicou a belíssima "Love Song", uma cantiga de amor do século XIII, atribuida a Nuno Fernandes Torneol. A igualmente bela "Monte Castelo" tem duas referências literárias: a primeira vem da bíblia (I Coríntios 13) e a outra é do "Soneto 11" de Luís de Camões. Se vc ouvir com atenção as músicas do Legião, vc ainda vai encontrar muitas "ressonâncias" literárias, que podem ser identificadas no estilo de algumas de suas letras (veja p. ex. "Metal contra as nuves" e "Vento no litoral"). Essas letras podem muito bem ser incluídas no rol da antologia da poesia brasileira. Isto é, se vc ouve Legiào Urbana, saiba que está consumindo boa literatura (tá bom! é um exagero essa última afirmaçào..., afinal o Renato Russo não era lá tão bom compositor assim...).
Vamos agora para a refinadíssima
Adriana Calcanhoto.

Adriana Calcanhoto vestindo o parangolé de Hélio Oiticica (capa do CD "Marítimo").

É admirável como ela transita pela literatura e pela música popular. Ela tanto é capaz de cantar uma
composição do Claudinho e Bochecha e do Roberto Carlos, músicos realmente populares, como canções sofisticadas como O outro, Canção por acaso, A fábrica do poema, Metade, Uns Versos e Esquadros, só para citar algumas. Só pelos títulos dessas canções já dá para perceber o quanto a literatura está presente em suas músicas: versos, palavras, poemas e livros compoem um universo particular no conjunto da obra de Calcanhoto. Na música Vambora, por exemplo, há referência a dois importantes livros da poesia brasileira moderna: o Cinza das Horas, de Manuel Bandeira e o Dentro da Noite Veloz, de Ferreira Gullar. A letra dessa cançào é belíssima. Gosto muito da idéia, sugerida pelas últimas estrofes, de que se pode encontrar o cheiro da pessoa amada dentro de um livro "na cinza das horas" ou "dentro da noite veloz".

No quesito ousadia, Calcanhoto foi um pouco mais longe ao musicar o poema
Jornal de Serviço de Carlos Drummond de Andrade, elaborando uma canção inusitada, com efeitos sonoros interessantes. Vc ainda nào ouviu? Nào leu? Puxa, que pena!

A música
Jornal de Serviço me faz pensar em outra questão: a do consumo das músicas. É claro que essa é uma cançào que dificilmente vc ouvirá sendo tocada nas rádios e tvs. Talvez ela até ganhe um rótulo do tipo "música experimental" e algum professor (talvez eu mesmo) acabe por fazê-la toca em sala de aula. Fora do circuito acadêmico e artístico, vai ser mesmo difícil ouvir essa e outras maravilhosas cançoes dos nossos artistas. Afinal, o que a indústria musical quer nos vender - e é o que a maioria de nós quer consumir - é a música fácil, de letras fáceis e rítmo mecanicamente dançante.
Mas agora que tal vc ir ler as músicas e ouvir os livros?

quarta-feira, 29 de março de 2006

teatro dos vampiros

Sempre precisei de um pouco de atenção
Acho que não sei quem sou
Só sei do que não gosto
E destes dias tão estranhos
Fica poeira se escondendo pelos cantos
Este é o nosso mundo: o que é demais nunca é o bastante
E a primeira vez é sempre a última chance.
Ninguém vê onde chegamos:
Os assassinos estão livres, nós não estamos
Vamos sair - mas não temos mais dinheiro
Os meus amigos todos estão procurando emprego
Voltamos a viver como há dez anos atrás
E a cada hora que passa
Envelhecemos dez semanas
Vamos lá, tudo bem - eu só quero me divertir
Esquecer, dessa noite ter um lugar legal pra ir
Já entregamos o alvo e a artilharia
Comparamos nossas vidas
E esperamos que um dia
Nossas vidas possam se encontrar
Quando me vi tendo de viver comigo apenas
E com o mundo
Você me veio como um sonho bom
E me assustei
Não sou perfeito
Eu não esqueço
A riqueza que nós temos
Ninguém consegue perceber
E de pensar nisso tudo, eu, homem feito
Tive medo e não consegui dormir.
Comparamos nossas vidas
E mesmo assim, não tenho pena de ninguém.
Legião UrbanaComposição: Renato Russo

terça-feira, 14 de março de 2006

Pequeno Perfil de um Cidadão Comum

Para os meus alunos de Metodologia Científica, a respeito das relaçòes entre senso-comum, ciência, conhecimento, visão de mundo....

Pequeno
Perfil de um Cidadão Comum (Belchior)

Era um cidadão comum como esses que se vê na rua
Falava de negócios, ria, via show de mulher nua
Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua
Acordava sempre cedo (era um passarinho urbano)
Embarcava no metrô, o nosso metropolitano...
Era um homem de bons modos:
"Com licença; - Foi engano"

Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida

Acreditava em Deus e em outras coisas invisíveis
Dizia sempre sim aos seus senhores infalíveis
Pois é; tendo dinheiro não há coisas impossíveis
Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)
Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto
E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto

Que a terra lhe seja leve

Homenagem à "Graúna", do Henfil

No final da década de 1970, eu era apenas um adolescente curioso quando, por acaso, frequentando a banca de jornais da rodoviária de Itapeti...