Seus textos são carregados de poesia e sensibilidade crítica.
quarta-feira, 31 de maio de 2006
andróide paranóico
Seus textos são carregados de poesia e sensibilidade crítica.
terça-feira, 30 de maio de 2006
qual a sua tese, mesmo?
E assim lá estava eu, na sala de aula, com uma tese na mochila, diante de 30 jovens cabeças. Embora eu não fosse falar do tema da minha pesquisa (a Psicologia e a Pedagogia no Brasil), mas apenas como "isso" foi realizado e chegou ao fim, é claro que fiquei um tanto constrangido. Primeiro, porque poderia parecer autopromoçào e, segundo e mais importante, porque fiquei com sérias dúvidas sobre o interesse que esse tipo de coisa pode ter para alunos de Publicidade e Propaganda.
Daí que deixei para falar da minha pesquisa quase que ao final da aula. Fui retirando da mochila páginas amareladas (ainda datilografadas!) do projeto original, dos relatórios parciais e, por fim, da própria dissertação, tb amarelada e já com sinais da passagem que alguns cupins andam fazendo pela biblioteca aqui em casa.
Quatro ou cinco alunos (ainda bem que existem eles!) pediram para folhear os papéis e a tese.
Fiquei ansioso. O que iriam dizer?
Uns fizeram comentários admirados: "puxa, professor! que trabalhão, hein?", "e o senhor tinha tempo de ver a família"? Outros foram irônicos: "olha, o professor sabe datilografar!"; "ah, quanto o senhor pagou para escreverem isso?"; "onde o senhor comprou essa tese?".
Esses comentários são bem interessantes: eles revelam a visão que a maioria das pessoas tem sobre a pesquisa acadêmica: ela é sobre-humana (ô Pasquale! é assim q se escreve?) e somente os "gênios da raçã" é que podem desenvolvê-la.
A coisa não é bem assim, na verdade. Embora desenvolver uma pesquisa de mestrado ou doutorado imponha certos sacrifícios pessoais e até profissionais e familiares, realizar, hoje, o mestrado ou o doutorado já não é mais como erguer pedras morro arriba.
Primeiro, porque a pós-graduação está cada vez mais ágil, exigindo que os pesquisadores desenvolvam suas pesquisas no menor tempo possível (2 anos para mestrado e 3 para doutorado, em média). Essa redução no tempo de realização dos cursos stricto-sensu foi imposta pela CAPES em meados da década de 1990, atendendo as novas exigências do mercado de trabalho criado pela criação sempre crescente de novas faculdade particulares. Segundo, porque o aumento do número de teses defendidas ocasionou, em contrapartida, a diminuiçào das exigências para a sua realização. Isto é, o Brasil produz hoje mais teses, e, portanto, forma mais mestres e doutores, mas, por outro lado, ainda produz poucas (relativamente) teses realmente boas.
Pode parecer pedante e arrogante da minha parte dizer esse tipo de coisa, pois podem pensar que faço o elogio das minhas pesquisas e critico as dos outros. Não é isso. Até acho que as pesquisas que fiz no mestrado e no doutorado poderiam ser melhores em alguns aspectos (ninguém é perfeito!). A questão que coloco é mais grave, pois se refere à própria natureza da pesquisa nos cursos de pós-graduação: pesquisar para quê? Para formar pesquisadores ou simples professores para as faculdades particulares, a fim de cumprir as exigências da lei (que obriga 2/3 do corpo docente possuir titulação mínima de mestre)?
Esse é um dilema sério da pós-graduação atualmente. Ficam aqui esses pensamentos para os meus alunos pensarem a respeito.
sábado, 27 de maio de 2006
lembranças do plebiscito
Uma opinião foi otimista (estamos mais seguros). Quatro opiniões foram pessimista-radical (burrice e destruição de armas). E duas foram opiniões tipo sarrista (coisa de viado e usar estilingue).
Todo mundo quer a paz, em resumo. Ainda bem que é só isso!
foi excelente, pois estamos mais seguros assim. 14% 1
foi mais uma demonstração da burrice humana. 43% 3
sei lá!! porque vc quer saber? 0% 0
de novo esse assunto? 0% 0
eu acho que deviam destruir todas as armas 14% 1
tenho saudades do tempo em que eu usava estilingue. 14% 1
pode explodir o mundo que nào tô nem aí! 0% 0
desarmamento é coisa de viado! 14% 1
arma é coisa de machão! 0% 0
7 votes total
quarta-feira, 24 de maio de 2006
meus queridos alunos

A foto ao lado é de 2004, quando todos esses meninos e meninas estavam no primeiro ano do curso de Publicidade e Propaganda. Que turma! E eles me "aguentaram" também no ano seguinte, i.é, em 2005. Fiz malabarismos ali na frente deles, não é Thiago? A foto foi enviada pelo Leandro (terceiro da esquerda para a direita), que também é funcionário da FKB. Aliás, o Leandro me fez uma surpresa e tanto no final de 2005: trouxe aqui em casa um dvd do The Wall de presente. A grande surpresa, no entanto, estava na abertura do filme: ele inseriu uma foto minha, tirada na sala de aula (meio ridícula, aliás...), na abertura do filme. Guardo com muito carinho o presente, assim como a lembrança de toda a turma. São as amizades que ficam além das paredes da sala de aula que tornam minha profissão especial. Obrigado, Leandro!
terça-feira, 23 de maio de 2006
o coronel das lavouras mecanizadas

Enxada é um instrumento rural usado para cavocar e arrastar a terra do chão. Também serve para carpir o mato, puxar diversos objetos e, no caso de alguma necessidade forte, pode também servir como arma de defesa. Nesse caso, falamos de "dar uma enxadada".
Coronel era o título que se concedia ao homem que, em tempos republicanos, demonstrava alguma forma excepcional de fidelidade ao poder político estadual ou federal.
A força política representada por esses coronéis, bem como o estilo de fazer política que os caracterizou ficou conhecido como "coronelismo".
Lembro dessas coisas porque penso em Itapetininga e seus grupos políticos.
Com excessão de alguns poucos políticos locais, entre os quais incluo o Roberto e vários outros políticos e executivos públicos de seu grupo, a grande maioria está aí na vida pública mais para satisfazer interesses pessoais do que por qualquer outra coisa. Isso não é de hoje. É problema antigo e está enraizado na mentalidade não só dos políticos, como também de muitas pessoas comuns (por exemplo: se vc perguntar o que a pessoa gostaria de fazer se estivesse no poder, muitas vão responder: "ficar rico!!!"). É o desprezo pela coisa pública. Pra vc conhecer e entender melhor isso, recomendo a leitura de Coronelismo, enxada e voto, de Victor Nunes Leal, que é um livro clássico sobre nossa mentalidade política. Mas também pode ir ao site do professor Renato Janine Ribeiro e ler artigos interessantes sobre isso.
Falo desse assunto para tratar de algo bem mais prosaico: a difamação no orkut. Como muitos amigos meus sabem, criei uma comunidade, Itapetininga para todos (http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=12035979), com a finalidade de aproximar pessoas de bem e comprometidas com a democracia e o progresso de Itapê e região.
Bem, tão logo a comunidade foi para o ar, um anônimo, em outra comunidade, gritou: "Fausto, vá se fuder!" - assim mesmo, com todas essas letrinhas. Confesso que fiquei assustado. Afinal, isso é agressão, embora seja apenas uma frase. Mas continuei a fazer o que me propuz.
Sábado passado tive uma nova surpresa: o anônimo (mas pode ser outra pessoa), naquela mesma comunidade, postou duas novas mensagens bastante ofensivas, desta vez a várias pessoas da minha família. Quanto a mim, ele foi até gentil, pois me chamou de "Faustinho". Fiquei indignado de qualquer modo, é claro.
Porque razão essas pessoas são tão agressivas? Eu acho que é pelos seguintes motivos: elas não se conformam de terem perdidos as eleiçoes municipais em 2004. Elas estão atoladas em dívidas, e apostavam na vitória política para resolver seus problemas financeiros pessoais. Elas tinham planos de permanecer no poder por, pelo menos, mais 2 mandatos. O comprometimento financeiro que esse grupo esperava ter com sua vitória eleitoral devia ser, por baixo, na ordem de 4 milhões de reais/ano.
É.... dá para entender o motivo de tanta revolta?
Voltando ao "espírito público": do público mesmo esse tipo de pessoa só enxerga o fantasma. Detalhe: esse grupo "adora" pobre!! Sim. Eles adoram que pobre permaneça pobre, pois assim fazem aquela politica coronelista de dar esmola, cesta básica, camiseta etc, pedindo em troca pouca coisa: apenas o voto. Depois ainda gostam de aparecer na coluna social dos jornais amigos como se fossem benfeitores. Dupla vantagem!
Putz, eu fico indignado com isso.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
preto, pobre, periférico
Aqui no título do post, preferi trocar o p de puta pelo p de periferia. Me pareceu mais educado...
Quem está agora me lendo, com certeza não se encaixa em nenhum desses pês. Nem mesmo no de preto (mas o Edu Benedito vai questionar isso...).
Daí que nós, brancos e classe média, não entendemos direito o que é ter que carregar os três pes estampados na própria carne.
Pessoas com três pes habitam os nossos pesadelos: elas aparecem armadas, escondidas em esquinas e becos, prontas para nos atacar, invadir nossas casas, destruir nosso comércio, sujar nossos tapetes. Temos medo delas e quando vemos pessoas assim presas, ainda pensamos: puxa! agora vamos ter que pagar pra sustentar esses vândalos!
Agora, depois do ocorrido nesses últimos dias, o pensamento passou a ser: "tem que matar! tem que matar!".
É. É isso mesmo. É a frase que a classe média mais tem repetido. E, como o Estado e a polícia podem ser tudo, menos burros, logo o recado foi entendido e assim se sentiram autorizados a deflagrar um movimento de extermínio de suspeitos, que, "por coincidência", está atingindo principalmente pessoas pretas, pobres e da periferia. Algumas tb são putas, mas, enfim, isso é só mais uma coincidência.
Vou deixar uns trechos do texto de Maria Rita Kell, publicado na Agência CArta Maior para a reflexão dos meus leitores.
Assim a polícia vem “tranqüilizando” a cidade, ao apresentar um número de cadáveres “suspeitos” superior ao número de seus companheiros mortos pelo terrorismo do tráfico. Suspeitos que não terão nem ao menos a sorte do brasileiro Jean Charles, cuja morte será cobrada da polícia inglesa porque dela se espera que não execute sumariamente os cidadãos que aborda, por mais suspeitos que possam parecer. Não é o caso dos meninos daqui; no Brasil ninguém, a não ser os familiares das vítimas, reprova a polícia pelas execuções sumárias de centenas de “suspeitos”. Mas até mesmo os familiares têm medo de denunciar o arbítrio, temendo retaliações.
Aqui, achamos melhor fingir que os suspeitos eram perigosos, e seus assassinatos são condição na nossa segurança. Deixemos o Marcola em paz; ele só está cuidando de seus negócios. Negócios que, se legalizados, deixariam o campo de forças muito mais claro e menos violento (morre muito mais gente inocente na guerra do tráfico do que morreriam de overdose, se as drogas fossem liberadas – disso estou certa). Mas são negócios que, se legalizados, dariam muito menos lucro. O crime é que compensa.
Então ficamos assim: o estado negocia seus interesses com os do Marcola, um homem poderoso, fino, que lê Dante Alighieri e tem muito dinheiro. Deixa em paz os superiores do Marcola que vivem soltos por aí, no Congresso talvez, ou abrigados em algumas secretarias de governo. Deles, pelo menos, a população sabe o que pode e o que não pode esperar. E já que é preciso dar alguma satisfação à sociedade assustada, deixemos a polícia à vontade para matar suspeitos na calada da noite. Os policiais se arriscam tanto, coitados. Ganham tão pouco para servir à sociedade, e podem tão pouco contra os criminosos de verdade. Eles precisam acreditar em alguma coisa; precisam de alguma compensação. Já que não temos justiça, por que não nos contentar com a vingança? Os meninos pardos e pobres da periferia estão aí pra isso mesmo. Para morrer na lista dos suspeitos anônimos. Para serem executados pela polícia ou pelos traficantes. Para se viciarem em crack e se alistar nas fileiras dos soldadinhos do tráfico. Para sustentar nossa ilusão de que os bandidos estão nas favelas e de que do lado de cá, tudo está sob controle.
Homenagem à "Graúna", do Henfil
No final da década de 1970, eu era apenas um adolescente curioso quando, por acaso, frequentando a banca de jornais da rodoviária de Itapeti...
-
O Pensamento Comum já conta mais de mil acessos desde novembro de 2005, quando eu o criei. No momento que escrevo, o contador marca 1068 ace...





